Jornal SBCJ 15 - page 8

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omecei a tocar bateria há
uns 10 anos. Tudo teve
início depois de uma con-
versa com meu filho mais
velho, Conrado, que na época, com
15 anos, já tocava guitarra. Falei
com ele da vontade de aprender
a tocar bateria, desejo que tinha
desde a adolescência. No meu
aniversário de 45 anos, ele me deu
de presente um par de baquetas e
me disse para ir atrás do meu so-
nho. Respondi que não dava ainda,
porque sabem como é a vida cor-
rida de médico, e estava iniciando
minha preparação para a Livre-
Docência, mas prometi que umdia
iria começar.
Perto de completar 50 anos,
comprei uma bateria e fui cumprir
a promessa que tinha feito a ele.
Comecei a fazer aulas uma vez por
semana, como tento fazer até hoje,
e todas as manhãs de domingo,
das 9h30 às 11 horas, me dedico a
isso. Só não tocoquando estou via-
jando ou meu professor não pode.
Como moro em prédio, trans-
formei meu locker que fica no
subsolo em um espaço para duas
coisas que gosto bastante: música
e vinhos. De um lado fica a adega
com os vinhos e do outro, as bate-
rias; sento em uma e o professor
em outra e tocamos. Tendo o es-
pelho do professor rende mais. É
um espaço bem acanhado, mas dá
para estudar.
Tocar e ouvir música sempre
relaxa, a bateria nem se fala por-
que existe alguma atividade física
envolvida, a gente transpira um
pouco e consegue se desligar do
resto. Se não levo o telefone para
o estúdio, consigome entregar na-
quilo que a música pede. É muito
agradável.
Quando comecei a tocar bate-
ria e a me empenhar, vi que não é
fácil, que depende de uma boa co-
ordenação. A bateria exige uma in-
dependência entre todos os mem-
bros e também uma interdepen-
dência entre eles. Não é fácil. Se
tivesse começado na adolescência,
como já disse, toca guitarra e fez
aula de canto. É o mais envolvi-
do de todos eles, toca e canta em
duas bandas.
Durante os últimos tempos en-
saiamos juntos para nossa avant
premier, no meu aniversário de 60
anos. Foi uma surpresa para todo
mundo que foi à festa, mantive-
mos em segredo o tempo todo.
Eu na bateria, minha mulher no
teclado e cantando, meus filhos
na guitarra e na flauta. O repertó-
rio foi bem eclético: tocamos Bea-
tles, Rita Lee, Garota de Ipanema,
Amy Winehouse, Bryan Adams,
Red Hot Chili Peppers, Phil Collins
e Ray Charles. Lógico que não sou
um profissional, tive medo de dar
vexame. Mas foi divertido e muito
emocionante.
Acho que todos nós, além do
trabalho que é muito importante
porque dependemos dele para
uma série de coisas, devemos
nos dedicar à família, que é a ver-
dadeira razão de nossas vidas, às
amizades e àquelas coisas que nos
dão prazer. Eu também gosto de
pescar e de fazer atividade física.
É muito importante ter outras ati-
vidades, porque aos 60 anos, como
estou agora, ou aos 70, 80, não es-
tarei mais trabalhando no mesmo
ritmo, e émuito bombuscar coisas
que tomemnosso tempo de forma
agradável e saudável e que até nos
ajude a ficar perto de nossa família
e de nossos amigos. E a música faz
isso. Ela é umestímulo para o siste-
ma nervoso e para amemória, algo
essencial nessa faixa etária que es-
tou entrando agora.
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Coluna Além do Joelho
A música é um
estímulo para
a memória,
algo essencial na
faixa etária que estou
entrando
Nunca é tarde para realizar um sonho
O ortopedista e os filhos Ruy, na flauta, e Conrado, na guitarra,
mostraram sintonia e animação ao tocarem juntos
A esposa Nira com os filhos Débora e Ruy:
momento de descontração em família
como nível de teimosia que tenho,
talvez hoje não fosse médico.
Todos na minha família têmum
link com a música. Minha mulher,
Nira, formou-se em piano clássico
e, por minha influência, começou
a tocar música popular no teclado.
Meu filho do meio, Ruy, toca flau-
ta e a mais nova, Debora, chegou
a aprender baixo, mas por causa
de um problema no punho teve
de parar. O mais velho, o Conrado,
*Arnaldo Hernandez é Professor
Associado da Faculdade de
Medicina da Universidade de
São Paulo, foi presidente da
SBOT (2014) e da SBCJ (1999-
2000) e é baterista
Por Arnaldo Hernandez*
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