Jornal SBCJ 14 - page 8

S
e tivesse que escolher um
único vinho, Hugo Cobra, nosso
colega que exerceu o cargo
de presidente da SBCJ no biênio
2013/2014, optaria por um Amarone.
O gosto refinado pela bebida
vem do conhecimento sobre esse
universo, que começou a estudar
há 12 anos. Nesse bate-papo com
o jornal JOELHO, ele fala sobre sua
paixão por vinhos e dá algumas dicas
importantes para quem quer, como
ele, se tornar um enófilo.
Como e quando surgiu seu
interesse por vinhos?
Dr. Hugo Cobra
- Há 12 anos, fiz
um curso da Associação Brasileira de
Sommeliers, no Rio de Janeiro, onde
comecei a estudar um pouco sobre
vinho. Fiz o curso básico e avançado
e aí surgiumeu interesse pelo tema.
Como se mantém atualizado
sobre esse universo?
Faço parte da Associação
Brasileira de Sommeliers (ABS) como
sócio. Além disso, temos um grupo
de degustação dentro da ABS, que
se reúne uma ou duas vezes por mês,
quando degustamos, discutimos e
damos notas para os vinhos. Todo
semestre, escolhemos um país que
será avaliado e vamos degustando e
discutindo e, assim, nos mantemos
atualizados.
Já foi a regiões produtoras
de vinho? Quais? Conte sua
experiência.
Conheço bem as vinícolas de
Napa Valley, na Califórnia, para onde
fui duas vezes. Já visitei também
algumas regiões importantes como
o Douro, em Portugal, o Chile e a
Argentina, onde conheci Mendonza,
além do Vêneto, na Itália. A que sou
mais apaixonado é a Napa Valley, nos
Estados Unidos.
Você planeja suas viagens de
férias pensadoemir a regiões onde
possa unir o descanso ao hobby?
Se possível, sim, mas não é uma
obrigatoriedade. Claro que se eu for
à França, tento dar uma passada em
Champagne. Se for a Portugal, vou
ao Alentejo, ao Douro, às vinícolas do
Porto. Quando é viável, unir as duas
coisas é muito bom, mas não é uma
exigência.
Se você tivesse que escolher um
único vinho, qual seria?
Seria um Amarone, que é feito
na região do Vêneto. Ele tem uma
potência muito grande, com teor
alcoólico nunca menor que 14%.
Seu gosto é muito marcante e típico
pelo processo como é produzido.
Primeiro a uva é passificada, depois
é feita a preparação do vinho e ele
é armazenado dentro da barrica de
carvalho com as cascas. Para mim, é o
melhor vinho domundo.
Emsua opinião, por que o vinho
branco tem baixo consumo no
Brasil?
Qual a dica para trazer vinhos
do exterior?
A dica é que você pode trazer no
máximo 12 litros, que são 18 garrafas,
e o valor não pode ultrapassar US$
500. Também é importante evitar o
usodemalas próprias para transporte
de vinho, porque a Receita Federal
fica de olho nessas malas. Traga
dentro de uma mala dura. Existe
uma embalagem da 3M própria para
transporte de vinho, chamada wine
skin. Ela tem um plástico bolha, por
isso, mesmo que se quebrar alguma
garrafa, não há perigo de sujar a
bagagem.
Indique alguns rótulos que
valem a pena do ponto de vista
custo/benefício.
Não dá para falar em nomes,
é melhor pensar em regiões. As
regiões de Mendonza e da Patagônia
possuem bons vinhos e mais baratos.
A Itália também é interessante,
principalmente pelo benefício muito
grande em relação ao custo, claro
que fugindo dos vinhos de Piemonte,
mais caros. Portugal tem uma ótima
relação custo/benefício, com os
vinhos do Douro e do Alentejo.
Infelizmente, os vinhos americanos
chegammuito caro para nós, por isso
a relação custo/benefício domercado
hoje são os vinhos portugueses.
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Coluna Além do Joelho
Para mim,
o melhor
vinho
do mundo é o
Amarone
Uma outra paixão
Hugo Cobra com alguns médicos em uma degustação na Vinícola Joseph Phelps,
em Napa Valley, na Califórnia, região pela qual é apaixonado
Sempre que possível, Hugo Cobra aproveita suas viagens para visitar regiões produtoras
de vinho. A foto à esquerda é do Porto e a da direita é na Moët & Chandon, na França
É incrível porque isso acontece,
já que vivemos em um país de
clima quente. Mas essa realidade
está mudando, porque já foi pior.
O
brasileiro
está
descobrindo
outros vinhos brancos, além dos da
América do Sul, como os Sauvignon
Blanc chilenos e os Chardonnay
argentinos. Hoje, estamos bebendo
outros brancos, como os Riesling e os
Alsacianos, ebrancos daAustráliaeda
Nova Zelândia, que são de qualidade
superior, sem contar os Montrachet,
da França, que sãomuito bons.
O que você acha dos clubes do
vinho que existemhoje?
São interessantes, é uma maneira
de receber os vinhos em casa e,
dependendo do clube, com um
preço razoável e com uma grande
variedade. É uma forma de você ir
experimentando rótulos que talvez
não tivesse interesse em beber.
Faço parte do Wine.com, que me
manda duas garrafas por mês, acho
interessante e com preço bastante
justo.
Para quem quer entender mais
sobre vinhos, qual sua dica?
A melhor dica é se matricular
em um curso. Rio de Janeiro, São
Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul
são estados onde existem cursos da
Associação Brasileira de Sommeliers
e tambémdo Amigos doVinho, além
de outros, onde se pode aprender
muito. Eu mesmo quando comecei
a conhecer mais sobre vinhos,
comecei a beber mais branco, mais
Porto, mais espumante. Você vai
descobrindo outras coisas além do
tinto, que é um clássico e que todo
mundo bebe.
Hugo Cobra, presidente
da SBCJ 2013/2014
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