Ano 2013 - Número 11 - page 8

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além do joelho
D
iretor médico do
Comitê Olímpico
Brasileiro (COB) e
membro da Comis-
são Médica do Comitê Olím-
pico Internacional (COI), Dr.
João Alves Grangeiro Neto,
sócio da Sociedade Brasileira
de Cirurgia do Joelho, viverá
um grande desafio nos Jogos do Rio, em 2016.
Será o chefe da Comissão Médica, a quem cabe-
rá responder por tudo que envolve as questões
médicas do Jogos Olímpicos, inclusive o delica-
do tema do controle antidoping. Apaixonado
por esportes e jogador de vôlei profissional na
juventude, Dr. Grangeiro, que está com 56 anos,
já esteve em oito olimpíadas, a primeira delas
pela Seleção Brasileira, em Moscou, em 1980.
Nesta entrevista ao Jornal JOELHO, ele fala sobre
sua experiência comesportes, como atleta emé-
dico, e sobre o desafio dos Jogos de 2016.
Conte como começou sua carreira de jo-
gador de vôlei e quais as conquistas dessa
época.
Comecei no colégio e no Tijuca Tênis Clube
em 1971, aos 14 anos. Em 1975, fui para o Bota-
fogo, na ocasião base da Seleção Brasileira. Em
1976, ganhamos o primeiro título da Superliga
de Vôlei. Participei de uma sequência de 11 títu-
los cariocas conquistados pelo Botafogo. Com a
Seleção Brasileira de Vôlei Juvenil fui campeão
sul-americano em duas edições e medalha de
bronze no Mundial do RJ, em 1977. Pela Seleção
Brasileira Adulto conquistei três títulos sul-ame-
ricanos (77, 79 e 81), um vice-campeonato pan-
americano em 79, um quinto lugar nas Olimpía-
das de Moscou em 1980 e na Copa do Japão em
1977.
Por que escolheu a medicina?
Decidi que queria ser médico aos dez anos
de idade, antes de iniciar o esporte competitivo.
A ortopedia veio no quinto ano de faculdade,
quando comecei a estagiar no pronto-socorro
como acadêmico e me interessei por essa área.
O que o levou a integrar a equipe médica
do COB e depois do COI?
O que me levou à Direção Médica do COB e
nos dias de hoje a membro da Comissão Médica
do COI foram a paixão pelo esporte, a dedicação
Dr. João Alves Grangeiro Neto
De jogador a chefe da comissãomédica da Rio 2016
com foco na minha formação profissional, a ex-
periência de ter vivido dentro das quadras, ter
trabalhado anteriormente como médico da Con-
federação Brasileira deVôlei e a confiança deposi-
tada em mim por dirigentes, atletas e sobretudo
colegas que convivem comigo no dia-a-dia.
Como foi sua participação como membro
do COI nos Jogos de Londres?
Londres foi minha oitava Olimpíada e fui para
o outro lado do balcão, como se diz. Passei a ter
uma visão de como se deve entregar ou prepa-
rar um bom nível de serviços médicos a todos
que participam do maior evento esportivo do
mundo, que são os Jogos Olímpicos, experiência
anteriormente já vivida em menor escala quan-
do sediamos os Jogos Sul-Americanos (2002) e
João Grangeiro, nos Jogos de Londres em 2012,
e na época de jogador de vôlei do Botafogo
Com a equipe do Botafogo, clube
onde ganhou 11 títulos cariocas
os Jogos Pan-Americanos (2007)
no Rio de Janeiro.
Qual é o principal de-
safio de chefiar a Comis-
são Médica do COI na
Olimpíada do Rio?
Tenho a certeza de
que este será o maior de-
safio de toda minha vida
profissional, não só meu,
mas de todos os envolvi-
dos que amam o esporte
e que acreditam que ele é a
maior e melhor ferramenta de
resgate social, principalmente
da nossa juventude.
Sempre se fala muito no
legado social que uma Olim-
píada deixa no país-sede.
Para a medicina, qual será
esse legado?
Não tenho dúvida de que
um evento olímpico traz lega-
dos diversos para a sociedade,
sejam tangíveis ou intangíveis.
Mas, falando especificamente
da medicina, espero que junto
das sociedades afins, institui-
ções acadêmicas e conselhos
de medicina possamos divul-
gar e capacitar profissionais para que tenham
uma experiência olímpica bem-sucedida.
Qual sua relação hoje como vôlei?
Até os 50 anos tínhamos um time de máster,
jogamos vários torneios nacionais e internacio-
nais. Após duas cirurgias de joelho e uma rotu-
ra do tendão de Aquiles, achei melhor “dar um
tempo” e hoje me dedico apenas ao “velhoball”
na praia.
Qual mensagem que gostaria de passar
aos colegas cirurgiões do joelho?
Acho que como médicos devemos enco-
rajar e orientar a prática de esporte aos nossos
pacientes, não só pela questão da preservação
da saúde, mas também pelo convívio social in-
formal, que aproxima as pessoas e faz bem ao
espírito.
João Grangeiro com a equipe do Departamento Médico
do COB no Jogos Pan-Americanos de Guadalajara
O doping macula o esporte,
agride a saúde do atleta
e privilegia os trapaceiros. Se
quisermos um esporte saudável e
em condições de igualdade para
todos, temos de ser implacáveis
na luta contra o doping.”
Foi difícil conciliar a vida
de estudante de medicina
com o esporte de alto rendimento.
Havia muita cobrança dos dois
lados, mas o prazer que sentia
nas duas atividades superou os
obstáculos.”
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