Ano 2013 - Número 11 - page 5

Dr. Flávio Mattuella
- A indicação de limpeza
cirúrgica é feita para todos
os pacientes. A cirurgia é
programada em discussão
com infectologista, anes-
tesiologista e familiares,
levando em conta riscos e
benefícios. Por indicação
do infectologista não utili-
zamos antibiótico na lava-
gem da ferida, pois o mes-
mo agride as partes moles.
Dr. Marco Antonio Percope de Andrade -
Em casos de infecção su-
perficial precoce, a limpeza cirúrgica com lavageme desbridamento está
indicada, pois possibilita a permanência e a durabilidade do implante.
Nas infecções profundas agudas, a limpeza cirúrgica com desbridamen-
to e troca do polietileno também pode ser realizada. Em todos os outros
casos estaria indicada a retirada do implante. De rotina, não se utiliza an-
tibiótico local.
Dr. Osmar Pedro Arbix de Camargo
- A limpeza cirúrgica tem suas
maiores indicações nos casos recentes que surgem de três a quatro se-
manas pós-operatórias, diante da presença de bactérias de baixa virulên-
cia, aquelas Gram positivas, sem sinais radiográficos de destruição óssea
ou soltura dos componentes. Nesses casos a possibilidade de sucesso
é bem alta, citando-se até 89%. Contudo, se a bactéria for mais agres-
siva, como os Estafilococos resistentes, a possibilidade de cura cai para
18%, estando indicada a substituição de todos os componentes. Outra
contraindicação da limpeza cirúrgica isolada é no paciente portador de
próteses em outras articulações. Diante da suspeita de infecção intra-
articular, principalmente nos casos agudos, quanto mais precocemente
realizarmos a colheita de líquidos presentes para Gram e cultura e efetu-
armos o devido desbridamento, a cura é conseguida commais frequên-
cia que nos casos abordados tardiamente. A retirada do polietileno tibial
permite um acesso à região posterior e no término deverá ser substituí-
do por um novo componente. Dois cateteres para irrigação e drenagem
contínua ou intermitente são deixados, procedendo-se ao fechamento
da articulação. Utilizamos na drenagem soro fisiológico e fluidificantes
de depósitos fibrinóides ou purulentos, como a homocisteína, manten-
do-se a mesma até a clarificação do líquido expelido. Na limpeza cirúrgi-
ca é feita uma copiosa lavagem com soro fisiológico puro, sempre sem a
adição de antibióticos.
Dr. Alan Mozella –
Em infecções crô-
nicas, presença de sinais clínicos de sepse,
presença de fístulas ou falha do debrida-
mento de infecção aguda indico retirada
dos implantes e colocação de espaçador
com antibiótico local.
Dr. Antonio Altenor Bessa de Quei-
roz
- Da retirada de prótese: infecção
após a terceira semana, infecção que não
responde ao tratamento comATB e infec-
ção na presença de fístula.
Dr. Flávio Mattuella
- O primeiro
critério e o maior deles é prótese solta.
Segundo: após quatro semanas de pós-
operatório ou do início dos sintomas nas
hematogênicas. Até a quarta semana,
sendo consideradas agudas e as hemato-
gênicas, fazemos limpeza e troca do polietileno.
Dr. MarcoAntonio Percope deAndrade -
Emcasos de infecção crôni-
Qual seu critério para a retirada da
prótese e colocação de espaçador?
Você vê indicação ou realiza de rotina troca em
um tempo da prótese em casos de infecção?
Dr. AlanMozella -
Atualmente emmi-
nha prática clínica não indico revisão em
um único tempo para infecção. Entendo
que em casos muito selecionados, julgan-
do condições clínicas do paciente, isola-
mento prévio do germe e constatação de
baixa virulência e perfil de sensibilidade,
assim como disponibilidade de equipe
cirúrgica e clínica treinadas, tal indicação
possa ter espaço.
Dr. Antonio Altenor Bessa de Quei-
roz
- Revisão em um tempo só - Sim, em
caso de infecção de baixa virulência e au-
sência de fístula.
Dr. Flávio Mattuella
- A minha rotina
é troca em dois tempos nos casos de in-
fecção comprovada. Em todas as revisões
feitas, culturas são colhidas e até o seu resultado o paciente recebe anti-
bióticos de largo espectro. Com o resultado negativo os antibióticos são
suspensos. Se positivo mantém-se esquema de tratamento com antibió-
tico específico.
Dr. Marco Antonio Percope de Andrade -
Na maioria absoluta das
vezes, em casos de infecção crônica, a primeira opção é pela troca em dois
tempos.
Dr.
Osmar Pedro Arbix de Camargo
- A indicação de troca em um
tempo é restrita aos casos em que a bactéria identificada não demonstra
resistência, não existem fístulas, em pacientes com um bom estado geral,
não portadores de fatores que predispõem a imunodeficiência. Essa con-
dição é reforçada pela literatura que demonstra nos estudos comparativos
a cura ser conseguida em 94% das trocas realizadas emdois tempos, cain-
do para 71% quando feitas emum tempo.
Dr. Marco Antonio
Percope de Andrade
Dr. Osmar Pedro
Arbix de Camargo
BATE-BOLA
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ca, em que já se supõe a formação de biofilme, deve-se fazer a retirada da
prótese e colocação do espaçador.
Dr. Osmar Pedro Arbix de Camargo -
Indicamos este procedimento
diante de uma infecção tardia, fistulizada, com imagens demonstrando li-
nhas grosseiras de radiolucência inexistentes anteriormente, entre o osso
e os componentes da prótese, com áreas de destruição óssea, ou mesmo
quando esses sinais não estãopresentesmas se detecta uma bactériamul-
tirresistente. Oespaçador émoldadonumsóblocooudois imitando a arti-
culação para permitir algummovimento durante a sua permanência; a bi-
bliografia não demonstra diferenças notáveis entre um e outro. Para cada
pacote de cimento adiciona-se 2g de Vancomicina. Ele é mantido por seis
semanas no mínimo, com cobertura antibiótica contínua, aguardando-se
a melhora do quadro local e laboratorial.
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