Ano 2013 - Número 11 - page 4

Tema:
Infecção em
Artroplastia
Total do Joelho
A
Coluna Bate-Bola desta edição aborda
a infecção em Artroplastia Total do Jo-
elho. As perguntas foram formuladas pelo
Dr. José Ricardo Pécora, 1º Tesoureiro da
SBCJ, e respondidas pelos colegas Alan Mozella (INTO-RJ), Antonio Al-
tenor Bessa de Queiroz (EPM-SP), Flávio Mattuella (Curitiba-PR), Marco
Antonio Percope de Andrade (MG) e Osmar Pedro Arbix de Camargo
(Santa Casa-SP). Confira:
Dr. Alan Mozella -
Realizo profilaxia
antimicrobiana com cefalosporina de
segunda geração iniciada durante indu-
ção anestésica, portanto, previamente
à realização de isquemia do membro.
Mantenho o antibiótico por 24 horas. Nos
pacientes com histórico de alergia a tais
drogas, as alterações são realizadas de
forma individualizada. Nas artroplastias
primárias não utilizo, de modo rotineiro,
cimento com adição de antibióticos. Nos
casos de doenças do colágeno, imunos-
supressão, diabetes melittus, cirurgia
com duração superior a duas horas ou
revisões, além da profilaxia convencional,
utilizo cimento com antibiótico.
Dr. Antonio Altenor Bessa de Quei-
roz
- Inicio duas horas antes do procedimento cirúrgico e mantenho por
48 horas.
Dr. FlávioMattuella
- Nos hospitais emque atuo emCuritiba a profila-
xia é feita comCefazolina Sódica na dose de 1,0 g para pacientes até 75 kg
e 2,0 g para pacientes acima deste peso. A administração é feita concomi-
tante à indução anestésica. A profilaxia é mantida por 24 horas.
Dr. Marco Antonio Percope de Andrade -
De rotina, a antibioticopro-
filaxia é iniciada na indução anestésica logo após a obtenção do acesso
venoso. Ela consta em geral de três doses, o que significa um período de
24 horas.
Dr. Osmar Pedro Arbix de Camargo -
Em nosso meio são utilizadas a
Cefalotina ou a Cefuroxima por via endovenosa, sendo o segundomedica-
mento o de minha preferência. Administra-se uma dose na fase de prepa-
ração pré-anestésica, outra na finalização do procedimento, e émantido o
esquema terapêutico até o segundo dia pós-operatório. Quando o pacien-
te apresenta maior risco de contrair infecção, como o obeso, o diabético,
o portador de artrite reumatoide ou outras afecções imunossupressoras, a
antibioticoprofilaxia é continuada até o quinto dia pós-operatório.
Em relação à profilaxia da infecção pós-artroplastia,
além dos cuidados gerais como descartar
focos quiescentes de infecção, preconiza-se a
antibioticoprofilaxia. O tipo de antibiótico utilizado
depende da flora microbiana da cada hospital.
Quando você inicia a antibioticoprofilaxia e a mantém
durante quanto tempo?
Nos casos de suspeita de infecção ou infecção
estabelecida, quando você vê a necessidade
do auxílio de um infectologista?
Quando você indica limpeza cirúrgica?
Usa antibiótico local na limpeza cirúrgica?
Dr. Alan Mozella
- Em todos os casos
com suspeita ou confirmação de infecção
realizo manejo em conjunto com infecto-
logista com treinamento em infecção os-
teomuscular. Tal conduta é pautada pela
severidade das consequências e constan-
te evolução dos métodos diagnósticos
e drogas disponibilizadas, assim como
constante alteração do perfil de sensi-
bilidade dos patógenos. Deste modo,
acredito que esta complicação é de trata-
mento multidisciplinar desde o primeiro
momento.
Dr. Antonio Altenor Bessa de Quei-
roz
- Eu busco auxílio de imediato.
Dr. FlávioMattuella
- Os pacientes in-
fectados ou com suspeita são internados
para o infectologista, assim sendo, o tratamento ortopédico é umprocedi-
mento cirúrgico dentro de uma internação clínica.
Dr. Marco Antonio Percope de Andrade -
Diante de um caso de sus-
peita de infecção já existe uma rotina pré-estabelecida entre a equipe
ortopédica e o infectologista. Conhecendo-se ou não o patógeno, após a
colheita do sangue para avaliação laboratorial é discutida como infectolo-
gista a melhor droga a ser administrada. Após a definição do patógeno se
faz a adequação das drogas e o tempo de utilização das mesmas, sempre
em comum acordo com o infectologista. Em suma, a Infectologia e a Or-
topedia trabalham juntas na definição do tempo e do tipo de droga a ser
utilizada.
Dr. Osmar Pedro Arbix de Camargo -
Diante da suspeita de uma in-
fecção recente ou tardia, aguda ou crônica, sempre solicitamos a ação do
infectologista participante da Comissão de Controle de Infecção Hospi-
talar, conhecedor das eventuais floras bacterianas mais frequentes, para
orientar a identificação do microorganismo presente e a melhor maneira
de eliminá-lo.
Dr. Alan Mozella -
Indico curativo
cirúrgico somente nos casos de início
agudo dos sintomas de infecção. Nestes
casos, após artrotomia, coletamos frag-
mentos ósseos do fêmur, da tíbia, assim
como partes moles e secreções. Além de
cultura, julgo importante exame histopa-
tológico e contagemde celularidade e di-
ferencial no líquido sinovial. Realizamos,
em seguida, desbridamento extenso de
tecidos desvitalizados, irrigação abun-
dante dos componentes com solução
fisiológica e troca do componente de
polietileno. Não utilizo antibiótico tópico
quando a indicação é curativo cirúrgico,
mas inicio empiricamente antibiótico ve-
noso de acordo com perfil de germe mais provável. Quando do resultado
das culturas, realizo as alterações cabíveis.
Dr. Antonio Altenor Bessa de Queiroz
- Indico na presença de sinais
clínicos de infecção: calor, rubor, dor e ou exsudato que não cede pela fe-
rida cirúrgica.
Dr. Alan Mozella
Dr. Antonio Altenor
Bessa de Queiroz
Dr. FlávioMattuella
4
BATE-BOLA
Dr. José Ricardo Pécora
1
o
Secretário da SBCJ
1,2,3 5,6,7,8
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