JOELHO • Número 3 • Setembro de 2014 - page 5

Dr. Wilson Vasconcelos -
Identifico
os fatores (TA-GT, displasia troclear, pate-
la alta, comprimento do tendão patelar
e alterações de cartilagem) e alterações
no exame físico (mobilidade aumenta-
da e teste de apreensão) os corrijo um
a um, individualmente ou em conjunto.
Displasia de alto grau (B e D) com bump
acima de 5 mm e tracking anormal - tro-
cleoplastia; patela alta - distalização se
associada a um tendão patelar comcom-
primento maior que 52 mm realizo teno-
dese; TA-GT aumentado - medialização;
diante de umpaciente com apenas displasia troclear de baixo grau - reconstru-
ção isolada do LPFM. Em todos os pacientes associo a reconstrução do LPFM.
Dr. GilbertoLuís Camanho -
Medialização seTA-GT > 20mm; raramente
indico só a distalização.
Dr. Marco Antonio Percope de Andrade -
A distalização da TAT é indi-
cada em casos de patela alta (acima de 1,2 do índice de Caton e Dechamps)
objetivando trazer o índice a 1,0. A medialização é indicada hoje apenas em
casos extremos, com acentuado aumento da TA-GT (normalmente acima de
26). Aumentos menores podem ser compensados comos procedimentos de
reconstrução do LFPM e eventualmente com a distalização da TAT.
Dr. Rogério Fuchs -
Com Índice Patelar (IP - Caton-Deschamps) maior
que 1.2, faço a distalização da TAT. Com TA-GT elevada (acima de 17-18 mm)
faço a medialização da TA-GT, procurando deixar em 10-11 mm.
Dr.Wagner Lemos -
Os trabalhos iniciais da TA-GT de Bernargeau e Gouta-
lier foram posteriormente validados pela escola de Lyon e o valor normal para
a população foi de 16mm+ - 4mm. Portanto, um valor de TA-GT superior a 20
mm na minha opinião não se trata de uma variação do normal e sim de uma
alteração patológica da inserção do tendão patelar. Da mesma forma a patela
alta é a expressão de uma displasia de todo o mecanismo extensor. São fatores
importantes na gênese da luxação e se não
corrigidos podemafetar o seu resultado final,
principalmente a patela alta. Faço o realinha-
mento distal sempre queTA-GTmaior que 20
e índice de Caton-Deschamps maior que 1,2.
Dr. Wilson Vasconcelos -
Frente uma
instabilidade objetiva a distalização no index
> 1,2 (caton) e a medialização nas TA-GT >
20 mm. Avalio sempre o comprimento do
tendão patelar e caso aumentado uso duas
âncoras para tenodese. Correlaciono a for-
ma troclear com a medialização, evitando
assim conflito medial (tróclea plana permite
maior medialização). Lembrando que a dis-
talização promove uma medialização auto-
mática de 4 mm.
Para que situações indica a distalização ou a
medialização da tuberosidade anterior da tíbia na
instabilidade patelar?
Como realiza a técnica de reconstrução do LPFM e
qual sua opção de enxerto e método de fixação?
Qual sua visão crítica quanto ao tratamento cirúrgico
no paciente com instabilidade patelar?
Dr. Gilberto Luís Camanho -
Uso enxerto com tendão patelar (minha
técnica).
Dr. Marco Antonio Percope de Andrade -
A minha opção de enxerto
é o tendão do músculo semitendíneo. Ele é preso por duas âncoras na sua
parte central, no local de origemna face medial do terço proximal da patela,
Gilberto Luís Camanho -
A cirurgia é
útil apenas para a estabilização, não previne
artrose e nem trata dor anterior.
MarcoAntonio Percope de Andrade
-
Temos um trabalho publicado há alguns
anos na RBO que espelha a minha visão do
tratamento cirúrgico. Nele, os pacientes
submetidos ao tratamento cirúrgico em
apenas um dos joelhos relatavam grande
melhora após o tratamento, com bons ín-
dices nos testes funcionais e baixo índice
de recidiva de luxação, porém a maioria
deles ainda considerava o joelho não ope-
rado como o melhor. Resumindo: o trata-
mento cirúrgico deve ser realizado nos ca-
sos de instabilidade. Mas a possibilidade de tratamento conservador deve ser
sempre considerada, já que as avaliações de longo prazo demonstram com
frequência alterações degenerativas da articulação femoropatelar.
Rogério Fuchs -
Minha visão crítica está no “excesso” de indicação da
reconstrução do LFPM. No meu modo de ver, na patologia femoropatelar, o
LFPM é somente uma parte do problema e normalmente a sua influência só
ocorre de modo secundário às outras alterações (displasia de tróclea, TA-GT
elevada, patela alta). Por isso, minha preferência é abordar em primeiro lugar
a parte distal do problema.
Wagner Lemos -
Na minha opinião, estamos em uma fase de transição.
Há alguns anos nem se comentava sobre o LPFM e atualmente são raros os
cirurgiões que ainda realizam o avanço do VMO. Existem várias técnicas de
reconstrução do LPFM, com vários tipos de enxerto possíveis e acho que isso
não é bom. A padronização seria melhor. Também atualmente muito se tem
questionado sobre a real necessidade do realinhamento distal, principalmen-
te a medialização da TTA. Acho que algumas dessas técnicas vão ser abando-
nadas por causarem aumento da pressão femoropatelar e consequentemen-
te artrose femoropatelar, como o que aconteceu com a técnica de Hauser. O
tempo nos dirá.
Wilson Vasconcelos -
O sucesso está relacionado à identificação e/ou
afastamento dos fatores causais, podendo oferecer ao paciente um tratamen-
to individualizado assim como é sua patologia.
Dr. Wilson Vasconcelos
Dr. Wagner Guimarães
Lemos
BATE-BOLA
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após ter sido feita pequena canaleta óssea no local.
O ponto de inserção femoral é definido com o inten-
sificador de imagens no pré-operatório. O enxerto
é introduzido no túnel ósseo no ponto de inserção
determinado pelo raio-x de forma dupla e a fixação
é feita com um parafuso de interferência absorvível
com o joelho em torno de 60 graus de flexão. Após
isso procura-se trazer a pequena parte descolada do
VMO sobre o enxerto.
Dr. Rogério Fuchs -
Não faço a reconstrução do
LFPM. Quando é necessário, faço o avanço do vasto
medial oblíquo (VMO) sobre a patela.
Dr. Wagner Lemos -
Sempre realizo a reconstru-
ção do LPFM nas instabilidades femoropatelares. Pessoalmente utilizo en-
xerto do semitendíneo fixado com duas âncoras na patela e um parafuso
de interferência absorvível na inserção femoral. Já tentei usar o grácil, como
recomendado por parte da literatura, mas esporadicamente este enxerto
fica insuficiente, e voltei a usar o semitendíneo.
Dr. Wilson Vasconcelos -
Com ajuda da radioscopia confecciono um
túnel cego ao nível do fêmur obedecendo os critérios estabelecidos por
Schoettle, após fixação do enxerto no fêmur com parafuso de interferência
realizo dupla fixação patelar com auxílio de duas âncoras estando o joelho
com 30 graus de flexão.
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