JOELHO • Número 3 • Setembro de 2014 - page 4

Dr. Gilberto Luís Camanho -
Faço a
reconstrução do LFPM + correção da TA-
GT se for > 20 mm.
Dr. Marco Antonio Percope de An-
drade -
Na primeira consulta, deve ser
feita a avaliação do número e a frequência
das luxações, além do grau de interferên-
cia nas atividades da vida diária. Espera-se
nessa avaliação dois tipos de pacientes: a)
aqueles que relatam luxações infrequen-
tes, com grande espaço de tempo entre
elas e com pequena interferência nas ati-
vidades da vida diária; b) os episódios de
luxação são frequentes, levando a quedas
e consequentemente gerando inseguran-
ça. Neste grupo com frequência se observa hipotrofia muscular. No primeiro
grupo de pacientes, a orientação é para o tratamento não cirúrgico, com
exercícios de fortalecimento muscular - quase sempre os pacientes se sen-
tem satisfeitos com esta abordagem e não há necessidade de se conside-
rar o tratamento cirúrgico. No segundo grupo, dificilmente se obtém boa
resposta com o tratamento não cirúrgico e a tendência é de se indicar o
tratamento cirúrgico. Casos intermediários são avaliados e a tendência é de
se indicar também neles o tratamento inicial fisioterápico.
Dr. Rogério Fuchs -
Inicialmente indico o tratamento conservador com
reabilitação durante quatro a seis meses. Se persistir a instabilidade com
episódios repetitivos de luxação patelar, indico a cirurgia de acordo com as
alterações clínicas e radiológicas.
Dr. Wagner Lemos -
Na minha opinião, existem duas patologias distin-
tas, a luxação aguda e a luxação recidivante da patela. A primeira seria o caso
de uma luxação aguda, primeiro episódio. Neste caso, minha abordagem
é com tratamento conservador, baseado em um trabalho epidemiológico
prospectivo importante sobre luxação da patela (Fithian D. Epidemiology
and Natural History of Acute Patellar Dislocation. Am J Sports Med. 2004; 32
(5). Este trabalho mostrou que apenas 17% dos pacientes com primo-luxa-
ção apresentaram outro episódio de luxação. O trabalho mostrou também
que os pacientes que já tinham experimentado um episódio de luxação
prévio tinham uma chance sete vezes maior de apresentar nova luxação
que o grupo de luxação primária. Este grupo de pacientes eu trato cirurgica-
mente pelo alto risco de novas luxações da patela.
Dr. Wilson Vasconcelos -
Avalio o número de episódios, em que si-
tuação houve e a instabilidade ao exame físico (apreensão, mobilidade
- quadrant test - e tracking anormal). A repetição dos acidentes de insta-
bilidade e alteração importante nestes sinais irão conduzir ao tratamento
cirúrgico.
Tema:
Instabilidade
patelar
O
tema do Bate-Bola dessa edição é a
Instabilidade Patelar. Para falar so-
bre o assunto, convidamos os cirurgiões
Gilberto Luís Camanho (SP), Marco An-
tonio Percope de Andrade (MG), Rogério
Fuchs (PR), Wagner Lemos (MG) e Wilson
Vasconcelos (BA). Confira como cada um
atua nas situações questionadas pelo 1
o
Secretário da SBCJ, André Kuhn.
Qual sua abordagem terapêutica frente a uma instabilidade
patelar objetiva no paciente jovem (fise fechada)?
Como conduz sua investigação radiológica no
planejamento terapêutico da instabilidade patelar?
Como planeja atualmente seu passo a passo no
tratamento cirúrgico da instabilidade patelar?
Dr. Gilberto Luís Camanho -
Solicito
tomografia commedidaTA-GT, altura pate-
lar e ângulo da tróclea.
Dr. Marco Antonio Percope de An-
drade -
O primeiro exame é a radiografia
e nela é sempre solicitado o perfil real, com
superposição da parte posterior dos côn-
dilos femorais para estudo da displasia da
tróclea e da altura da patela. O axial deve
ser realizado em torno dos 30 graus de
flexão. A ressonância magnética também
tem o seu papel na primeira avaliação
objetivando verificar o ligamento femo-
ropatelar medial e as alterações condrais
na patela e tróclea femoral. A tomografia
computadorizada é solicitada apenas nos
casos em que se vê indicação cirúrgica e
nela buscam-se a báscula da patela e a avaliação da TA-GT.
Dr. RogérioFuchs -
Sempre faço radiografias (frente / perfil / axial patela).
Este simples exame confirma meu diagnóstico e já serve para medir o Índice
Patelar (IP). Quando existe a indicação da cirurgia por exame clínico/radio-
grafia, solicito a Tomografia Axial Computadorizada (TAC) com protocolo de
Lyon, que mostrará as possíveis alterações (TA-GT / Inclinação patelar lateral
/ etc).
Dr. Wagner Lemos -
Sempre solicito tanto a ressonância magnética
quanto a tomografia computadorizada para avaliação da TA-GT além do
raio-x.
Dr.WilsonVasconcelos -
Para o diagnóstico, solicito radiografias simples
(frente, perfil e axial de patela), avalio displasia troclear e altura patelar. No
planejamento terapêutico, incluo imagens de tomografias (estudando a Tilt
patelar - que representa mais uma consequência do que causa - e TA-GT). Em
pacientes com patela alta acrescento IRM (avalio o comprimento do tendão
patelar) e investigo o status da cartilagem.
Dr. Gilberto Luís Camanho -
Realizo
a reconstrução do LFPM nos casos de luxa-
ção recidivante e correção damedialização.
Dr. Marco Antonio Percope de An-
drade -
Alguns fatores são considerados
no planejamento: a) a luxação é em flexão
ou extensão? A luxação emflexão cursa fre-
quentemente com encurtamento do qua-
dríceps e nesse caso o alongamento ou a
quadricepsplastia entra no planejamento.
b) Existe patela alta? Nos casos extremos
deve-se planejar a distalização da tuberosi-
dade anterior da tíbia (TAT). c) A TA-GT está
aumentada que justificasse a medialização
da TAT? d) Existe um valgo acentuado que
justificasse a osteotomia femoral?
Dr. Rogério Fuchs -
Se existem valores anormais de TA-GT, IP e inclinação
patelar, faço a correção de cada um, dando a preferência para o realinhamen-
to distal da TAT e a seguir o realinhamento proximal (se for necessário).
Dr.Wagner Lemos -
Se já indiquei o tratamento cirúrgico, no meu passo
a passo realizo inicialmente a retirada do enxerto do semitendíneo, seguido
de realinhamento distal quando indicado e posteriormente o realinhamento
proximal com reconstrução do LPFM.
Dr. Gilberto Luís Camanho
Dr. Marco Antonio
Percope de Andrade
Dr. Rogério Fuchs
Dr. André Kuhn
1
o
Secretário da SBCJ
4
BATE-BOLA
1,2,3 5,6,7,8
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