De acordo com a história oficial, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil há mais de 500 anos permitindo iniciar uma das aventuras mais bonitas da humanidade com a divulgação num grande continente sua língua portuguesa. Fernando Pessoa visionou a sua pátria não como Portugal, mas como a língua portuguesa.
Durante muito tempo conheci o Brasil por intermédio de alguns dos seus melhores embaixadores como Jorge Amado, Erico Veríssimo. Em Novembro de 2000 a SPOT, ao conceder-me o prémio do melhor trabalho do seu Congresso permitiu-me uma grande viagem e conhecimento do Brasil, dos ortopedistas brasileiros e sobretudo dos “joelhistas” brasileiros. Nesse longínquo ano foi-me possível conhecer colegas em Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.
Posteriormente iniciou-se um intercâmbio entre colegas brasileiros e portugueses. Até aí andávamos de costas voltadas, tentando fazer o seu melhor mas ignorando-nos mutuamente. Os diversos contactos permitiram ver que além da língua partilhamos muitas outras características importantes e embora inseridos em realidades socioeconómicas diferentes temos muitas coisas que nos podem unir.
A ideia de um reunião de “joelhistas” lusos e brasileiros foi tomando corpo e caminhando lentamente. Inicialmente aflorada em Florianópolis, foi combinada em Madrid pelos responsáveis das principais sociedades de patologia do joelho brasileiras e portuguesas.
Entre 10 e 12 de Junho de 2009 concretizaram-se num resort perto de Lisboa. Foram três dias de intenso convívio que permitiram um conhecimento mútuo das realidades de cada país. Como era a primeira vez os tempos científicos foram distribuídos entre portugueses e brasileiros. Mas isso não impediu a existência de animadas discussões e trocas de ideias sobre os principais temas da patologia do joelho. O entusiasmo dos colegas brasileiros foi extremamente contagiante e participativo, contribuindo para o grande êxito destas jornadas.
Findas estas ficou a saudade do acontecimento e o desejo de se repetirem, agora em terras de Vera Cruz dentro de dois anos.
Muita coisa de pode aperfeiçoar, podendo-se programar agora outro tipo de actividade científica, como a junção de “joelhistas” de ambos os lados do Atlântico em temas, mesa redondas e mesmo em estudos multicêntricos prospectivos a realizar entre centros de referência portugueses e brasileiros. Existe igualmente a possibilidade de criar bolsas para intercâmbio de residentes de ambos os países de modo o poderem aperfeiçoar os seus conhecimentos e trocar experiências.
Esta caminhada foi apenas um pequeno passo na longa caminhada de dois povos unidos por um imenso oceano e uma língua comum.
Vamos começar a trabalhar para concretizar as ideias surgidas e transformar as 2ª Jornadas Luso-Brasileiras numa grande afirmação do conhecimento da patologia do joelho falada em português e afirmada de cada vez mais em todo o mundo.
Fernando Fonseca